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15/08/2020

O que fazer em caso de parada do elevador?

Por Eng. Giuliano Ferrari, Diretor Zenit Elevadores
Última atualização: 12 de março de 2026 | LinkedIn do autor


A parada inesperada de um elevador é uma situação que, embora estatisticamente rara em equipamentos com manutenção rigorosa, pode gerar ansiedade e dúvidas sobre os procedimentos corretos de segurança. Como especialistas em transporte vertical, nosso objetivo é fornecer diretrizes claras, embasadas em normas técnicas e protocolos de resgate, para garantir a integridade física e psicológica dos passageiros.

Tentarei detalhar as causas comuns de interrupções, os protocolos de segurança estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), estratégias de gerenciamento de crise e a importância crítica da manutenção preventiva.

O que é uma parada de elevador e por que ela ocorre?



Uma parada de elevador ocorre quando o sistema de controle interrompe o movimento da cabine entre os andares ou impede a abertura das portas, geralmente como uma medida de segurança preventiva acionada por sensores do equipamento. As causas mais frequentes incluem oscilações na rede elétrica, acionamento de dispositivos de segurança devido a mau uso ou falhas em componentes mecânicos e eletrônicos.

A interrupção do funcionamento de um elevador raramente é um evento fortuito sem causa aparente. Na grande maioria dos casos, a parada é, paradoxalmente, uma demonstração de que os sistemas de segurança do equipamento estão operando corretamente. Os elevadores modernos são projetados com múltiplos circuitos de redundância. Quando os sensores detectam qualquer anomalia — seja uma variação brusca na tensão elétrica, um objeto obstruindo o fechamento das portas ou um desnível milimétrico na parada — o sistema central corta a energia do motor e aciona os freios mecânicos.

As causas mais comuns para a paralisação de um elevador incluem:

  • • Quedas ou Oscilações de Energia Elétrica: A interrupção do fornecimento de energia pela concessionária local é a causa primária de paradas súbitas.
  • • Mau uso pelos Passageiros: Forçar a abertura das portas, dar saltos no interior da cabine ou exceder a capacidade máxima de carga acionam os sensores de segurança.
  • • Desgaste de Componentes: Falhas em relés, contatos elétricos ou desgaste natural de peças mecânicas em equipamentos sem manutenção preventiva adequada.
  • • Interferências Externas: Objetos que caem no poço do elevador ou sujeira acumulada nas soleiras das portas.
Compreender que a parada é frequentemente uma ação de proteção do próprio sistema ajuda a mitigar o pânico inicial e a adotar uma postura racional diante do evento.

Protocolo de Ação: o que fazer imediatamente após a Parada



Em caso de parada do elevador, o passageiro deve manter a calma, acionar o botão de alarme ou interfone para comunicar a ocorrência à portaria, aguardar o resgate por profissionais qualificados e jamais tentar forçar a abertura das portas ou sair da cabine por conta própria. A segurança depende da permanência no interior do equipamento até a chegada da equipe técnica.

elevador parado com gente dentro

A resposta a uma parada de elevador deve seguir um protocolo lógico e sequencial, focado na comunicação e na preservação da segurança. A estrutura de decisão a ser seguida é a seguinte:

  • • Se o elevador parar abruptamente e as portas não se abrirem, então o primeiro passo é respirar fundo e avaliar a situação sem pânico.
  • • Se a calma foi estabelecida, então localize o painel de controle e pressione o botão de alarme ou utilize o interfone de emergência.
  • • Se o contato com a portaria ou central de monitoramento for estabelecido, então informe o número do elevador (se houver mais de um no edifício) e o andar aproximado onde a cabine se encontra.
  • • Se a comunicação interna falhar, então utilize o telefone celular para ligar para a empresa de manutenção (cujo número deve estar fixado na cabine) ou para o Corpo de Bombeiros (193).
  • • Se o socorro foi acionado, então aguarde pacientemente no interior da cabine, afastado das portas, até a chegada da equipe de resgate.


É imperativo ressaltar que a cabine do elevador é o local mais seguro durante uma ocorrência desse tipo. Tentar forçar as portas ou buscar uma rota de fuga improvisada expõe o passageiro a riscos extremos, incluindo quedas no poço ou esmagamento caso o equipamento volte a se movimentar inesperadamente.

Gerenciamento Psicológico: Como lidar com a Ansiedade e a Claustrofobia



Para gerenciar a ansiedade e a claustrofobia durante a parada de um elevador, é fundamental aplicar técnicas de respiração diafragmática lenta, focar a atenção em elementos externos à situação de confinamento e manter um diálogo tranquilizador com os demais passageiros, evitando pensamentos catastróficos. O controle emocional é tão importante quanto os procedimentos técnicos de resgate.

A sensação de confinamento pode desencadear reações de ansiedade aguda ou ataques de pânico, especialmente em indivíduos com predisposição à claustrofobia. O medo irracional de asfixia ou de queda livre frequentemente domina o estado mental dos passageiros retidos. No entanto, é crucial desmistificar essas crenças com fatos técnicos.

Primeiramente, não há risco de falta de oxigênio. As cabines de elevadores são projetadas com aberturas de ventilação estratégicas, em conformidade com as normas de fabricação, garantindo a renovação contínua do ar, mesmo em caso de falta de energia elétrica. Além disso, os sistemas de freios de emergência (freios de segurança e limitadores de velocidade) tornam a queda livre uma impossibilidade física em equipamentos modernos e bem mantidos.

Para manter o controle psicológico, recomenda-se a aplicação das seguintes técnicas:

Técnica de Controle Descrição e Aplicação Prática
Respiração Diafragmática Inspire lentamente pelo nariz contando até quatro, segure o ar por dois segundos e expire pela boca contando até seis. Repita o ciclo até a estabilização dos batimentos cardíacos.
Ancoragem Cognitiva Desvie o foco do confinamento. Conte os botões do painel, leia as instruções fixadas na cabine ou inicie uma conversa sobre amenidades com os outros passageiros.
Racionalização Lembre-se ativamente de que a parada é um mecanismo de segurança e que o resgate é uma questão de tempo, não de probabilidade. O equipamento está projetado para mantê-lo seguro.
Economia de Energia Sente-se no chão da cabine, se possível. Isso reduz a fadiga física, diminui a sensação de instabilidade e ajuda a conservar a calma.


Normas Técnicas e Procedimentos Oficiais de Resgate



O resgate de passageiros retidos em elevadores é regulamentado por normas rigorosas da ABNT, especificamente a NBR 16.083/2012, que determina que a operação deve ser realizada exclusivamente por técnicos habilitados da empresa de manutenção ou pelo Corpo de Bombeiros, seguindo protocolos de desenergização e nivelamento seguro da cabine.

A intervenção de pessoas não qualificadas, como zeladores, síndicos ou outros moradores, no processo de resgate é estritamente proibida e constitui uma infração grave aos protocolos de segurança. A legislação e as normas técnicas estabelecem diretrizes claras para garantir que a extração dos passageiros ocorra sem riscos adicionais.

A ABNT NBR 16.083:2012 (Manutenção de elevadores, escadas rolantes e esteiras rolantes) define os requisitos de segurança para as operações de resgate. Esta norma continua vigente e aplicável em 2026, sendo a referência obrigatória para empresas de manutenção credenciadas. O procedimento padrão executado pelos técnicos envolve:
  • 1. Comunicação: Estabelecimento de contato com os passageiros para informar o início da operação e tranquilizá-los.
  • 2. Desenergização: Desligamento da chave geral do elevador na casa de máquinas para impedir qualquer movimento acidental da cabine durante o resgate.
  • 3. Nivelamento: Movimentação manual ou eletrônica da cabine até o andar mais próximo, garantindo que o desnível entre a soleira do elevador e o pavimento seja seguro para a saída.
  • 4. Abertura Segura: Destravamento manual das portas de pavimento utilizando chaves específicas de emergência.


Além da norma de manutenção, a ABNT NBR 16.858-1:2021 estabelece os requisitos de segurança para a construção e instalação. Esta norma, publicada em julho de 2020 e em vigor desde 20 de abril de 2024, substitui a anterior NBR 16.042:2012 e introduz exigências mais rigorosas de segurança. Entre as principais mudanças estão: aumento da iluminação de emergência na cabine (100 lux), aumento da resistência do avental da cabina (300 N), e alteração nos requisitos de segurança para elevadores sem casa de máquinas. A norma exige a presença de dispositivos de comunicação de emergência bidirecional e iluminação de emergência adequada na cabine, garantindo que os passageiros não fiquem no escuro e possam solicitar auxílio.

A Importância da Manutenção Preventiva do Elevador



A manutenção preventiva regular, executada por empresa especializada e credenciada, é o método mais eficaz para evitar paradas indesejadas de elevadores. Este serviço sistemático identifica e corrige desgastes de componentes antes que resultem em falhas operacionais, garantindo a confiabilidade do equipamento e a segurança contínua dos usuários.

parada de elevador

A assistência técnica de elevadores corporativos e residenciais exige um compromisso inegociável com a manutenção preventiva. A negligência neste aspecto não apenas aumenta exponencialmente a probabilidade de paradas e incidentes, mas também reduz a vida útil do equipamento e eleva os custos com reparos corretivos emergenciais.

Um programa de manutenção preventiva de excelência, como o oferecido pela Zenit Elevadores, engloba a inspeção minuciosa de todos os subsistemas do equipamento:

  • • Sistemas de Tração e Frenagem: Verificação do desgaste de cabos de aço, polias e ajuste das lonas de freio.
  • • Sistemas de Portas: Limpeza de soleiras, ajuste de contatos elétricos e lubrificação de mecanismos de abertura e fechamento (a principal causa de falhas).
  • • Sistemas de Segurança: Teste rigoroso do limitador de velocidade, freio de segurança (pára-quedas) e sensores de presença.
  • • Sistemas Elétricos e Eletrônicos: Inspeção de quadros de comando, relés e fiação.


A legislação municipal, como as vigentes na cidade de São Paulo (Lei Municipal nº 276/2002 e Decreto Municipal nº 340/2011), exige a realização de inspeções anuais por empresas credenciadas e a emissão de laudos técnicos (RIA – Relatório de Inspeção Anual), reforçando a obrigatoriedade legal da manutenção adequada.

A parada de um elevador, embora seja uma experiência desconfortável, é uma situação gerenciável quando os passageiros mantêm a calma e os protocolos de segurança são rigorosamente seguidos. A compreensão de que a cabine é um ambiente seguro e ventilado, aliada ao conhecimento de que o resgate deve ser conduzido exclusivamente por profissionais, é fundamental para a prevenção de acidentes.

Na Zenit Elevadores, nossa prioridade absoluta é a segurança e o conforto dos usuários. Investimos continuamente em tecnologia de ponta e na capacitação de nossa equipe técnica para oferecer serviços de manutenção preventiva e assistência técnica de altíssimo nível. Garantimos que seus equipamentos operem em total conformidade com as normas da ABNT e legislações vigentes, minimizando os riscos de interrupções e assegurando a tranquilidade de todos que utilizam nossos elevadores diariamente.

Para assegurar o funcionamento impecável dos elevadores do seu edifício e a segurança de todos os condôminos, entre em contato com a Zenit Elevadores e conheça nossos planos de manutenção preventiva e modernização tecnológica.

Sobre o autor

Giuliano Ferrari é Diretor Técnico da Zenit Elevadores, engenheiro mecânico pela Escola Politécnica da USP e mestre em engenharia automotiva pelo Politecnico di Torino (Itália), com experiência em projetos de transporte vertical e conformidade com normas ABNT, além de experiência internacional na indústria automotiva italiana. Atua no projeto, fabricação, instalação e assistência técnica de monta-cargas e elevadores em todo o estado de São Paulo e participa do Comitê de Estudos de Elevadores da ABNT.
LinkedIn: br.linkedin.com/in/giuliano-ferrari

Zenit Elevadores — Fabricante em São Paulo desde 1962.
Para orçamento ou consultoria técnica: elevadoreszenit.com.br/contato